Curiosamente, essa não foi a
primeira pergunta que eu me fiz quando descobri que tinha diabetes. Tão pouco
perguntei isso para minha médica. Aliás, eu nunca perguntei isso pra ela.
Um tempo depois, quando os
dias começaram a ficar difíceis por causa das múltiplas injeções com insulina,
eu ficava com essa pergunta na minha cabeça.
Acho que no fundo, eu não
queria saber a resposta, mas pensava: “Seria tão mais fácil se pudesse beber ou
engolir um comprimido de insulina. Por que ninguém inventa isso?”.
Depois de alguns anos com
diabetes, vários tratamentos, mudanças nas doses e nas insulinas, eu comecei a
entender o porquê daquela resposta negativa pra pergunta que ficava na minha
cabeça.
A insulina é uma proteína, se
fosse ingerida pela boca, ela chegaria ao estômago e imediatamente os ácidos
digestivos a destruiriam antes de ela conseguir chegar ao sangue.
Isso é a explicação básica,
pra falar a verdade, a resposta vai muito além disso. O tratamento para o
diabetes é complexo e individual. As doses de insulina têm que ser precisas,
pois ela é muito potente. Uma unidade de insulina a mais, por exemplo, pode
causar uma hipoglicemia. E geralmente, as doses para o tratamento são muito
pequenas e distribuídas ao longo do dia, dependendo também da quantidade de carboidratos
consumida.
Gente, é tão complexo que se
pararmos para pensar, 1 unidade de insulina equivale a 0,01 ml. É muuuuuuuuito
pouco. E às vezes, eu preciso de apenas 0,4 unidades de insulina para corrigir
uma hiperglicemia. Pensa no tamanho dessa dose?! Não é nem meia unidade, é
menos do que isso.
Pode ser que beber insulina
seja uma realidade no futuro, eu não duvido de nada quando falamos sobre
tecnologia. Mas hoje, eu acho difícil de entender como isso daria certo, como
funcionaria. Como fazer essa dose exata chegar ao sangue, sem se dissipar pelo
caminho?!
Não sei. E por enquanto, acho
que os cientistas e pesquisadores também não sabem hahaha
No momento, estou feliz com a
bomba de insulina, consigo me cuidar e não sofrer com o tratamento. Mas desejo,
claro, um tratamento cada vez mais indolor e seguro para todos nós diabéticos.













